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Expedição Aconcágua
01/02/2010 - Aconcagua (Argentina)

O nosso amigo Fábio Campos, integrante do Ciclo, participou de sua terceira expedição rumo ao Aconcágua, ponto culminante das Américas, com quase 7 mil metros de altitude.



Além de Fábio, outros integrantes do Ciclo participaram de uma outra expedição rumo ao cume: Ítalo, Adroílzo e Cristiano integraram a Expedição Terras Extremas (www.terrasextremas.com) que tentou atingir o cume pela Via Normal, mais tradicional e menos exigente em termos de escalada.



Já Fábio optou por seguir numa expedição pela difícil e desafiadora via da Glaciar dos Polacos, juntamente a montanhistas estrangeiros de várias partes do mundo. Ambas expedições enfrentaram problemas com o mal tempo, o que não diminui o sucesso de todos.



O CicloAdventure gostaria de parabenizar a todos por vivenciarem esta experiência única e de ensinamentos sem igual para a vida de todos os participantes.



Siga o relato de Fábio



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Expedição ao Aconcagua 2009-2010




Essa foi a minha terceira expedição ao Aconcágua.



O objetivo principal dessa vez era tentar escalar a montanha subindo pela Face do
Glaciar dos Polacos, que apresenta um grau razoável de dificuldade tanto na escalada quanto na aproximação, e decendo pela Face da Rota Normal, que é consideravelmente mais fácil.



Começamos com uma equipe de 11 escaladores (eram 12, mas 1, acho que o mais inteligente :)., não iniciou a escalada) e 3 guias. Em termos de montanhismo eu, talvez, o menos experiente, pois os demais tinham uma familiaridade muito maior com as montanhas, possuindo diversas escaladas importantes no currículo.



Os primeiros 3 dias são gastos para se chegar ao acampamento base da Rota do Glaciar dos Polacos, nessa caminhada de aproximação (que por sinal é muito bonita, repleta de cachoeiras e rios decendo das montanhas) anda-se 40km com ascenção acumulada em torno de uns 2.000m, o que equivale a uns 20km a mais.



Essa caminhada é feita por terrenos muito acidentados, num ritmo de caminhada rápida ou trote lento, resultando numas 4 a 5 horas de caminhada por dia (com as paradas para lanche e descanso).



Chegando no acampamento base, chamado de Plaza Argentina (4.200m) descansa-se por 1 dia e no segundo dia de acampamento fazemos um porteio (carregamento de material, no caso, comida) para o primeiro acampamento de altitude, o Campo 1, localizado a 5.000m, trata-se de um dia muito duro, pois temos de carregar para o primeiro acampamento toda a comida (combustível, papel higiênico, etc.) que iremos utilizar na montanha, isso representa um peso em torno de 17kg para cada um (fora as roupas que pesam bastante, por exemplo, apenas as botas de altitude, pesam 3kg), isso num terreno super acidentado, onde teremos de vencer um desnível acumulado em torno de 1.000m.



Fizemos esse trecho em torno de 6h, retornando ao campo base, Plaza Argentina.
Depois de mais 1 dia de descanso e aclimatação, novamente carregamos as mochilhas (dessa vez com roupas e o restante do equipamento pessoal, como a barraca, etc.) e partimos de vez para a montanha.
Durante esses dias, 3 integrantes da equipe tiveram em momentos diferentes edemas pulmonares, e, como a situação foi diagnosticada como de risco de vida, eles foram evacuados por helicóptero. Na segunda evacuação o helicóptero não conseguiu aterrisar devido ao mal tempo e o médico de montanha diagnosticou a necessidade de evacuação nas próximas 24h sob risco de complicação séria do quadro de saúde, resultado, quando já estávamos nos preparando para mandar o cara de mula do campo base até a entrada do parque (provavelmente ele teria de ser amarrado à mula sob risco de cair em algum desfiladeiro) o piloto resolveu fazer mais uma última tentativa de aterrisagem e conseguiu!



Daí, o mesmo processo é repetido para o Campo 2, a 5.500m e para o Campo 3, Campo Cólera, a 6.000m



De Cólera tentamos atingir o cume no dia seguinte ao de chegada (não se consegue descansar a partir dos 6.000m, pois o corpo se desgasta mais do que se recupera, devido à altitude).



As condições do tempo (-30C com muito vento) e uma queda que levei no caminho que machucou minha coluna me impediram de ir muito longe dessa vez, e aos 6.200m comecei a decer (foi a vez que cheguei mais baixo de todas as que tentei). E, para complicar ainda mais as coisas, quando retornei a Cólera recebemos pelo rádio um alerta de tormenta que anunciava ventos de 70km/h no próximo dia, o que nos levou a tentar decer toda a outra face nesse mesmo dia.



Felizmente, apesar de exaustos conseguimos.



Após descansar mais 1 dia, andamos o caminho de volta à entrada do parque, o qual, por ser quase todo de decida, conseguimos fazer em 1 dia (umas 7 horas com os descansos).



Fábio Campos

 
 
         
 
 
         
 
 
         
 
 
         
 
 
         


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